Terça-feira, 9 de Dezembro de 2003

...a trindade do amor...

Distinguem-se 3 tipos de amor, susceptíveis de encaixarem uns nos outros:
1. EROS (erotismo). É o amor carnal, sexual. O desejo físico do outro exprime-se pela paixão amorosa, vivida, muitas vezes, na falta e no sofrimento.
2. PHILIA (amizade). O amor carnal evolui para o amor-ternura. Não é mais somente um instinto carnal, ou uma concupiscência. Ele dá-se. É alegre, expansivo. É o amor conjugal realizado e aquele que é dado aos seus filhos e reciprocamente. É também amizade. No entanto, permanece mais ou menos interessado.
3. Agape (caridade). É o amor dado sem procura de contrapartida. É o bem por excelência. Os crentes encontram a sua fonte em Deus, que é amor.
Há pois oposição entre o amor-EROS de concupiscência e de cobiça, e o amor-PHILIA, ou Agape, que são amores de benevolência e de amizade. Quer-se bem a alguém, em vez de o possuir. Os dois sentimentos, na maior parte das vezes, justapõem-se.
O amor-EROS não é uma virtude. «É uma questão de sentimento e não de vontade, diz Kant, e eu não posso amar porque eu o quero, menos ainda porque eu o devo; daí se conclui que um dever de amar é um contra-senso.» Efectivamente, «o amor não se comanda porque é ele quem comanda, diz A. Comte-Sponville.»
Mas à medida que se avança na sabedoria e na virtude, desligamo-nos dos desejos egoístas e elevamo-nos nos graus do amor. Primeiro, só se ama a si mesmo, depois o outro e depois os outros. Assim, «a benevolência nasce da concupiscência pois o amor nasce do desejo, do qual não é mais que a sublimação alegre e satisfeita. Este amor é uma virtude: querer o bem do outro é o próprio bem» (Ibidem, p. 349.)
É o ideal. «O ideal da santidade», sublinha Kant. Ele guia-nos e ilumina-nos. É uma virtude pois é uma excelência. E, milagre, «o amor que realiza a moral liberta-nos dela». «Ama e faz o que quiseres», dizia Santo Agostinho.
O amor é pois, o começo de tudo.

(in Jean Guitton et Jean-Jacques Antier – Le Livre da la Sagesse et dês Vertus Retrouvées)
publicado por quim às 21:00

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5 comentários:
De alva a 10 de Dezembro de 2003 às 00:45
Ó Quim...por favor retira o primeiro alva, dos links(foi abandonado)pois irrito-me cada vez que vejo duas alvas :))...
De as1160307 a 9 de Dezembro de 2003 às 23:17
A propósito do assunto mencionado, e como pessoa mais vivida que é, coloco-que a seguinte questão, e se é que me pode responder: a que estado/fase se pode englobar quando o sentimento que a outra pessoa inspira é de paz interior e de tranquilidade( o que não signifique que falta o "fogo")?...
De Maria a 9 de Dezembro de 2003 às 22:46
Amor e Teogonias:Histórias com oito mil anos antes de Cristo.

" No princípio, havia o Caos e a Noite. Gheia ( a Terra) surgiu e dançou nua sobre as águas. Chronos (o Tempo) apaixonou-se por ela e nasceram os Titãns, que devorava por ciúmes de Gheia e a Terra não tinha filhos. Até nascer Zeus que se escondeu nas profundezas do Hades (...)
(Teogonias, Hesíodo)
Claro que este Édipo não matou o pai, mas salvou e fecundou a mãe. Gostei muito do artigo.Amor também. Abraço...
De quim a 9 de Dezembro de 2003 às 21:27
...fico feliz por teres estado aqui...
De Maria Joo a 9 de Dezembro de 2003 às 21:16
Estive aqui. Só para que saibas. Abraço

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