Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2004

...um universo para cada um...

BuracoBranco.JPG

…tenho “defendido” há já alguns anos, a ideia de que o Universo não é aquilo que nos dizem que ele é mas sim aquilo que eu digo que é! Isto nada tem a ver com presunção, tem a ver com a realidade que cada um de nós “fabrica”…
…não és tu ou ele que me diz o que é a minha realidade ou a minha verdade, da mesma forma que ninguém me diz o que é ou como é o Universo; sou eu que “faço” o meu e cada um de nós “fabrica” o seu próprio Universo…
…o conhecimento que cada um de nós possui da realidade que nos cerca, é um “saber” individual (ainda que possua saberes colectivos) pois ele é obtido através dos nossos sentidos que transmitem ao nosso cérebro o que nos rodeia…
…nada mais “objectivo” do que se afirmar que um invisual não “vê” e por muito que se lhe diga o que é a Lua, ele fará sempre um ideia por ele “fabricada” e nunca conceberá a “minha” Lua… a Lua que eu vejo não é a mesma que ele “vꔅ
…daí que, não existe um Universo único igual para todos; existem biliões de Universos, um para cada um de nós, um para cada ser que o vê, o cheira, o ouve, o saboreia e o sente…
…não é difícil “provar” esta “tese”; parece que numa forma primária a simplista, todos estarão de acordo comigo, já que cada um tem a sua própria verdade, ainda que existam verdades universais (sei lá, por exemplo, o sol é uma estrela e está quieto, sendo os planetas que giram à volta dele…) elas não se “cimentam” universalmente na medida em que esse “saber” não é possuído por todos os seres humanos…
…geneticamente trago comigo a memória dos genes de meu pai e de minha mãe; trago comigo alguns saberes mas outros foram adquiridos por mim e não por eles; criei os meus “dados”, elaborei as minhas “listagens”, fiz os meus “mapas”, etc., em tudo de uma forma muito diversa dos deles…
…assim eu tenho o meu Universo e minha mãe, por exemplo, com quem vivo num mesmo espaço e num mesmo tempo, tem o Universo dela…
…o meu Universo tem galáxias; o Universo de minha mãe não tem…
…o meu Universo tem um satélite que gira à volta do meu planeta, que recebe a luz do sol e a reflecte para a terra; o Universo de minha mãe tem uma lua que vai crescendo e que tem luz à noite e que depois desaparece mingando aos poucos…
…o meu Universo tem sistemas estelares a milhares de anos-luz; o Universo de minha mãe tem pontinhos brilhantes que se acendem à noite e que estão ali em cima…
…o meu Universo tem o sentido da perspectiva; o Universo de minha mãe não tem…
…o meu Universo tem coisas imensas que não existem no Universo de minha mãe…
…então, como pode ser?
…o grande “problema” é que os nossos dois universos não se complementam nem interagem; pura e simplesmente não coexistem por serem diferentes; desta forma, pergunto como posso existir num Universo onde minha mãe não existe e, da mesma forma, como pode ela existir no meu?!...
…a que se deve então a existência de dois universos distintos se ambos possuímos idênticos sentidos? A resposta deverá estar, por certo, na aculturação de cada um de nós ou no acumular de conhecimento que cada um foi adquirindo… A pergunta seguinte será saber se o Universo é uma “forma” de conhecimento ou uma verdade universal?...
publicado por quim às 18:31

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6 comentários:
De quim a 4 de Fevereiro de 2004 às 11:23
...to "que sim": obrigado pela visita a este canto e pelas palavras; quanto aos múltiplos universos, aos multiversos, tb sou "adepto" dessa teoria entendendo que cada partícula pode ou poderá ser um universo... abraço
De que sim a 3 de Fevereiro de 2004 às 23:32
Caríssimo, visito pela primeira vez o seu blog, na sequência de comentário deixado no meu cantinho. Fico positivamente surpreendido pelo conteúdo e estilo, não só literários, como gráficos. Quanto ao tema em assunto no post pelo presente comentado, devo acrescentar que vai muito ao encontro do conceito de "Multiversos", em que - não só as perspectivas que cada um tem da sua realidade própria - contribuem para a edificação do "seu" Universo particular, condicionados numa determinada situação de espaço e tempo, como as escolhas e opções tomadas em cada instante condicionam a evolução de cada ramo do seu Universo consciente. É um tema que há anos me fascina, posto que, no limite (e em teoria), cada particula sub-atómica em interacção, pode estar na génese de inúmeros universos paralelos. A uma escala macroscópica, viveriamos realidades múltiplas, condicionadas pelas opções de vida de cada um; tornam-se, desta forma, particularmente interessantes um sem número de teorias não só físicas como mesmo extrapoláveis a níveis próximos do esóterismo (tema que não me seduz particularmente mas que serve de ilustração ao que pretendo expôr). Percepciono que o tema do post está mais focado a nível da concepção que cada um faz de um único universo; a condicionante é aqui apenas a forma como os vários percursos e experiências de vida nos permitem encará-lo; criando representações individuais múltiplas para uma entidade única. Não deixa de ser porém interessante adicionar esta outra aproximação.
Agradou-me de sobremaneira o seu blog, na generalidade. Já sabe; apareça, quando quiser. Há sempre lugar para velhos lobos a bordo da minha náu! Um abraço...
De quim a 31 de Janeiro de 2004 às 14:03
...to Magoo: acusarem-te de "mandares" ler livros? É pá, essa não cabe na cabeça de ninguém!... Deviam agradecer; depois cada um é livre de ler ou não; tudo o que nestes últimos anos tens "postado" nas nossas nets só me tem dado prazer ver, ler, discutir, reflectir, pensar, ouvir, sentir...sei lá! Continua a mandar as pessoas lerem!... Abraço
De Fernando(Magoo) a 31 de Janeiro de 2004 às 12:22
Já fui acusado,nos fóruns do Sapo,de "mandar ler livros às pessoas".Não mando nada,apenas partilho experiências.
"O Infinito na palma da mão - Budismo,Ciência e Salvação",Matthieu Ricard e Trinh Xuan Thuan, Editorial Notícias.
O primeiro tornou-se monge budista,depois de uma carreira científica brilhante no domínio da biologia molecular.Acompanha o Dalai-Lama,de quem é o intérprete francês.
O segundo é astrofísico,prof na Un da Virgínia,é um dos grandes especialistas do estudo da formação das galáxias.
De quim a 31 de Janeiro de 2004 às 10:50
...to Vitor: pois é Amigo...parece que não és só tu que "ainda" anda às aranhas...lol...andamos todos; também concordo que o empirismo do budismo ainda seja uma "solução"; no entanto, a pergunta persiste: será? Também e como muito bem dizes, ainda não morremos e por tal talvez a ocasião ainda surja!... Abraço
De Vitor Correia a 30 de Janeiro de 2004 às 20:48
Graves e ponderosas questões, Quim...Seria demasiado fácil "to dismiss them" como fazendo parte de uma problemática filosófica milenar, etc., etc. Mas acho que os "paisanos" também têm direito à vida! Nesse entendimento, aí vai o meu palpite: presumo que o corpo de conhecimento que melhor aborda estas questões é o Budismo; ao contrário da fama que ganhou, o Budismo é um empirismo. Mas, ai de mim! Bem quereria "Budar" mas, presentemente, realidades mais comezinhas trazem-me "atado de pés e mãos"! Mas, dado que ainda não morri, talvez a ocasião surja, quem sabe? Se dixei de andar às aranhas, perguntaste tu um dia destes... Pelo contrário, Quim, pelo contrário...

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