Sábado, 17 de Abril de 2004

...amar como o vento...

"Em cada relação que começa, a vida e o amor renascem. A paixão coloca cada pessoa num ponto alto e excepcional, inevitável e imperdível. Gostosamente. Mas as pessoas no seu melhor vêm depois, às vezes muito depois, quando se chora e luta, quando se aceita e se resiste, quando se constrói e quando se acredita. As verdadeiras relações, os grandes amores são sempre virtuais. Não por serem irreais, antes por serem imateriais, apesar de nos darem a ilusão de um corpo, de um suporte material que tocamos e possuímos, que acreditamos nosso, real, físico, material. Sentimos amor, quase conseguimos tocar, agarrar essa sensação. Dizemos convictos que é real. Olhamos o outro nos olhos e parece real, parece que o outro ali está e nos ama mais que nós... Mas ver, sentir, tocar, são formas de aceder ao amor, ascensores, facilitadores. Difícil mesmo é planar. As relações são feitas de ar, planar. É no vento que se ama. Talvez ser o próprio vento, e não a folha. Vê-se melhor o que é amar quando é difícil amar, aceitar que é sempre mais do que improvavelmente, um esforço, um desejo, um empenho pessoal em algo que materialmente não existe, não é palpável nem mesmo se sente. Nunca se ama realmente, a realidade do amor é nunca ser real. Virtual. No dia a dia, corpo a corpo, sonha-se o amor, sonha-se um amor virtual, que se não for virtual não é amor. Virtual porque não depende da presença do outro, da aparência do outro, do comportamento do outro. Um amar que perdura e se sustenta (Vento) mesmo quando não vemos o outro. Amar é memória, antecipação e crença profunda em memórias que hão-de vir. Virar a cara a quem nos vira a cara, sabemos todos que é real, bem concrecto, mas não é amar. Ama-se mesmo quem não nos ama e nos quer deixar. É na paciência, na persistência que se mede o amor. Amar é escolher amar. Depende de quem ama e não de quem é amado. Depende do esforço e disponibilidade de quem ama. Ninguém merece ser amado, porque ninguém pode deixar de merecer ser amado. Não depende do mérito, não depende do comportamento, não se vê nem se comprova. Posso ter que silenciar, posso ter de partir... vai comigo o amor."


Subscrevo este texto.
(from: de autoria de outra pessoa devidamente identificada)
publicado por quim às 11:09

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29 comentários:
De quim a 28 de Abril de 2004 às 12:10
...to a_mar: é uma verdade; por isso vim para estas bendas pois os fóruns deixaram de ser o que já foram outrora e hoje não chegam aos "calcanhares" do que por lá se deixou escrito; deixamos lá muito de nós, muito do que se sentia e do que se vivia... beijo
De a_mar a 28 de Abril de 2004 às 11:49
Já tinha lido este texto no fórum...e outras coisas da Beatrice de que muito gostei ou não me chamasse a_mar...é pena que pessoas como ela já não andem pelo fórum...é por isso que ele está uma seca!

a_mar
De quim a 21 de Abril de 2004 às 08:38
...to Aran: obrigado; um beijo.
De Aran_aran a 20 de Abril de 2004 às 22:12
Adorei o texto e todo o seu contexto! beijos
De quim a 20 de Abril de 2004 às 16:54
...to Nanda: olá miúda!..."isto" não está a ser nada fácil... o "tempo" não chega... a maré de mudar tarda... preciso imenso de sair de mim e ir por aí ou por ali mas não por aqui... falta um pouco de nada e talvez também um pouco de tudo... não ando bem apesar de estar bem; dará para entender?... e depois, venho a este lado em momentos fugidios... tendo imenso tempo não tenho tempo e preciso tanto de tempo... beijos
De grilinha a 20 de Abril de 2004 às 16:25
.... voltei cá. Eu vejo que respondes aos comentários mas acho pouco sabendo como tu és. Ou tro beijinho
De grilinha a 20 de Abril de 2004 às 16:24
Quim onde andas amigo ? Mandie-te um mail no Domingo. Não colocas nenhum texto ou imagem há uns dias. Espero que esteja tudo bem contigo e com as tuas velhotas. Um beijinho
De quim a 20 de Abril de 2004 às 08:31
...to WB: um sorriso para ti...
De Wild Berry a 20 de Abril de 2004 às 08:08
Meu Lobito querido,obrigada pela preocupação. Aquilo que me atormenta é complexo (ou não se chama-se amor)... vou explicar-te por e-mail, logo que tenha um bocadinho calmo. Mil beijos.
De quim a 19 de Abril de 2004 às 21:18
...to Carla: podes acreditar plenamente que eu sei o que isso é, o que queres dizer, o que pretendo dizer quando digo A ou quando digo B; podes crer que nestes meus longos anos de vida com experiência sobre experiência, eu "ganhei" um "calo", ganhei uma forma de "estar" e de me saber estar; passei e estou a passar por coisas que mais não são as tais condicionantes da vida elevadas a não sei quantas potências... O mais que posso fazer é conversar contigo se isso for teu desejo... tentar explicar que as forças, as condicionantes e as realidades somos nós que as dominamos, que as construimos e que as vivemos; podemos dar-lhes a volta... beijos

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