Terça-feira, 31 de Agosto de 2004

...pureza...

alma.jpg

...terminar este mês de Agosto com um olhar para tudo o que ficou, para tudo o que já fez parte de mim, para tudo o que restou, para tudo o que ainda existe, para tudo o que virá, para tudo o que não é passado, nem presente, nem futuro, mas sim para tudo o que é!...
publicado por quim às 15:10

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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2004

...porto...

rio2.jpg
...deito-me só no meu recanto;
...subo a dobra deste pobre manto
...que me cobre o corpo frio
...mas com um desejo imenso
...de desaguar completo
...no leito manso do teu rio...
publicado por quim às 16:20

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Domingo, 29 de Agosto de 2004

...pequenos lábios...

eye.jpg

...rosada de cor, suave de toque, este interior de rosa flor, singela, bela...
publicado por quim às 21:45

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Sábado, 28 de Agosto de 2004

...florir...

bela.jpg

...poderia passar a vida à procura da beleza; poderia passar o tempo em busca duma absoluta incerteza; sentir-me feliz mesmo na tristeza; olhar para este botão de rosa que de tão suave se torna delírio na sua visão e afagar sua leveza, sentindo paz na solidão...
publicado por quim às 21:35

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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004

...demência...

fire.jpg

...de ardente ardência de um sol que se põe junto ao mar, como esta saudável demência que sobre mim se abate sem clemência, numa eterna cadência de momentos sem par...
publicado por quim às 19:26

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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2004

...pouso...

trio.jpg

...nos fios do tempo, no emaranhado de sonhos, no despir da verdade, no fluir do vôo, na destreza da ave... pouso em tudo quanto me permite a sensação da amarga realidade...
publicado por quim às 14:54

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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2004

...vontade...

middlearthit.jpg

...palavra maldita que de bem dita se torna altiva, serena postura de quem diz que quer e ao mesmo tempo não sabe se quer; de quem sente e não sabe se sente; de quem corre quieto em espaços-tempos delineados no esquecimento da lembrança, do saber-me aqui sem prazo nem limite até ao termo concedido de ser e olhar e... não ver nem saber...
publicado por quim às 16:42

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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2004

...disseram-me...

"Os sensatos, amam.


Os loucos apaixonam-se"


respondi:


"Sensatamente enlouqueço"

publicado por quim às 14:54

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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004

...o Monólito...

Aviagem99f.jpg

...encontrei-o na minha viagem...estava lá à minha espera...porque razão o haveria de encontrar?...que mensagem me transmitiu?...toquei-o, senti-o...duro e frio, ali no vazio
publicado por quim às 17:51

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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2004

...Ode aos amantes...



Basta ficar em pé, deitada,
Desperta, adormecida, de qualquer jeito,
Para recebe-lo.
Ele chega de qualquer parte, do horizonte,
Da noite, da semente das estrelas.
Vestido de vento,
Suas brisas esvoaçam...
Dois lábios manam chamas perfumadas
E me beija na testa e me marca
Com gravação de candura
Se está na Grécia, ao redor de Safo,
Ao ouvir meu chamado, dali ausenta-se
Suas mãos desabam sobre o meu corpo
Orquídea de carícias em espiral.
E me afaga por dentro.
Alcança cada princípio da raiz dos meus cabelos,
Desliza até a guia dos meus pelos,
Imanta-me e o sangue arrepiado vai e vem.
Tudo gira mas o tino não se desvia.
Nada se obstrui.
A fronte desvela sua aurora.
Ele está na órbita da minha cabeça,
Sua sombra pousa luz nos meus ouvidos,
No nariz, nos olhos; amadurece minhas faces;
Passa pelos dentes esmaltando o sorriso;
Esquenta a língua;
Fere o diapasão da voz;
Faz esticar a pele dos tambores;
Até o limite da atmosfera, confere a afinação dos pássaros ;
A acústica das águas;
Repassa o som das conchas;
O silêncio das folhas orvalhadas,
As notas baixas do altivo bambu;
O soprano da haste do capim;
Os sons da chuva caindo por sobre a madeira verde.
Influi na intensidade das vagas na minha aura,
Na rebentação das praias,
Nas pororocas, na piracema;
No tempo propício ao acasalamento dos insetos;
E no cio das gatas no telhado,
Das cadelas cortejadas por matilha rabugenta;
Ajuda na distribuição do pólen para a fecundação das flores;
Despeja seu hálito na masturbação das virgens
E gradua a paixão das noviças, futuras esposas de Cristo.
Suave envolvimento ele permite ocorrer em minha nuca,
Por trás dos lóbulos das orelhas; massageia meus tímpanos com seus beijos;
Suas aragens incendiadas roçam meu queixo;
Esticam-se até os lábios e esquece ali um beijo;
E desaba pesando como espuma,
Demolindo átomo por átomo...os ombros;
O torso; ateia fogo nos elétrons dos meus mamilos;
Golpeia as costas com a marreta de suas pétalas;
Jasmins, lírios, cravos, rosas e musgos rebentam pelos flancos.
Anticólica desenfernizo a barriga;
Põe lenha na cadeira do meu plexo solar;
Meu coração arfa, contrações da rede pulmonar;
Implosão nas costelas;
A espinha de cobra da coluna vertebral reveste-se de peçonha;
Insinuo sob a pele o rastro de um silvo;
Arremesso a bifurcação da língua como tênue fita de linfa;
Apoia a cabeça da esfinge na maciez pinicante do púbis
Quais cisnes enamorados, entrelaçam-se tesão e pênis
Dentro, cascata e vulcão, iceberg e vapor;
Humores do pântano, galvanização do prepúcio;
Por trás da aurora, súbito mal de parkinson concentra-se em minha nádega;
Glândulas fora dos eixos, planetas desalinhados,
Estou completamente a espera;
Adjetivos nas coxas, conectivos dispersos pela vulva;
Uma aliteração apressa o desabrochar do clitóris.
Encavala-se nos meus ombros;
E mexe, e suspira e mexe;
A fenda quente, punhal em mim...
Abre-se mais descendo pelas costas;
Num impulso deixo-me penetrar.
Desde minha coroa;
Como regresso ao útero.
A membrana circular avança pela testa;
Toldo os olhos, cedo um pouco devido ao plano
Inclinado do nariz;
Retorno da onda para ganhar impulso;
O avanço atinge a manhã envolvendo o pescoço.
A partir desse ponto serpente engolindo a presa;
O ato é mais doloroso, inspiração em histeria;
Dificuldade para se encaixar nas omoplatas;
E graça eu lhe rendo pela santa experiência;
Porque já me reveste como casca e luz;
Fonte profunda, termas de súlfur, gás, pureza:
Adianta-se casulo retardando a borboleta.
Já está quase no umbigo.
Mastigação impossível da ausência de gengivas;
Só tecido e húmus;
Ruminação vagarosa da flor carnívora;
Efervescência do pélvis;
E o silêncio amplifica um concerto;
Engole a parte glútea.
Tritura as coxas; desloca as rótulas;
Eteriza fêmur e raízes venais, poros;
Macera canelas, amacia calos e calcanhares...
Para vencer o limite dos pés;
Inteiro me comprime e me espreme;
E jardins escapam pelo hiato das respirações;
O sol enlouquece desejando enforcar a noite;
Ele mexe o tempo , embaralha as estrelas;
Realizamo-nos selo mútuo;
Jamais me libertarei, e ele, por sua vez;
Está fadado a me possuir até que eu morra;
Quando enfim este meu amante me fará imortal;
A que ora engendro e adoro, servo fiel
De quem também sou cativa, senhora sua;
Com quem eu gozo e depois me abraço
Até brotarem glebas de fungos e lodo entre nós;
A luz envelhecida pousa em cada conjunção;
Abandonando a sombra de diamante em cada imagem;
E contas de cristal nos termos de comparação;
Este homem que para falar seu nome;
Preciso perfumar a boca e lustrar as botas da garganta;
Este homem para quem me guardo...
Este homem para quem me entrego...
Este homem, por quem sempre esperei....


(a poem from: Verônica V. V.)
publicado por quim às 10:45

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